M.Almeida Artesanato Etnográfico

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Exposição na Junta de Freguesia de Santo Onofre - Agradecimento ao Senhor Presidente

Aqui estou eu na minha nova Exposição na Junta de Freguesia de Santo Onofre. Quero agradecer ao Exmo. Senhor Presidente a sua amabilidade e disponibilidade em colocar as minhas peças neste espaço. Muito Obrigado.
Esta exposição está também disponível para visitas de estudo por parte das Escolas que assim o desejarem.

Mais uma peça em destaque num expositor em acrílico.

Mais uma panorâmica das minhas peças em cima das vitrinas.

Mais uma peça em destaque.

Informo mais uma vez que todas estas peças podem ser vistas na Junta de Freguesia de Santo Onofre, bastando colocar um comentário aqui no blog manifestando esse interesse.




Exposição na Junta de Freguesia de Santo Onofre

Ao fim de bastante tempo, cá estou a dar novidades. Tenho as minhas peças em exposição na Junta de Freguesia de Santo Onofre. Quem me quiser visitar, terei muito gosto em receber e darei todos os esclarecimentos que forem solicitados.

Mais uma das minhas últimas aventuras; um Tear.


As peças estão todas expostas em algumas vitrinas, as quais foram gentilmente cedidas pela Junta de Freguesia de Santo Onofre.

São cerca de 100 peças em exposição. Se me quiserem visitar é só deixar comentário aqui no Blog.

Mais uma panorâmica das vitrines com as peças.




Sexta-feira, Julho 06, 2007

Choço

Onde dormia o cão de guarda dos rebanhos

Cangalhas

Este utensílio era usado como substituto das cordas de carga. Não dispensava, contudo, a sobrecarga. Era feita de madeira e constituída por 2 travessas com cerca de 5 a 6 furos, onde eram metidos paus com cerca de 40 a 50 cm nas 4 travessas furadas, onde eram presas 2 cordas fazendo assim, um tipo de grelha de cada lado da albarda. Eram usadas no transporte de estrume e outros materiais.

Lagar de Azeite


Geralmente equipado com 2 mós ou 3, conforme a necessidade. Os mais primitivos eram movidos por um animal vacum, mais tarde viria a ser utilizada a força da água dos rios e ribeiros encaminhada por regueiras ou valas. Estes lagares ou azenhas eram movidos por uma roda vertical na parte exterior de casa donde saía o veio que fazia movimentar as mós por meio de carretos feitos em madeira de Carvalho ou Azinho. Também era usado o rodízio horizontal que funcionava na cave de casa, indo o eixo directo às mós. As mós com cerca de 1500 kg cada, trabalhavam verticalmente, ligadas entre si por um eixo horizontal. O depósito era ligeiramente cónico de cima para baixo para que a azeitona corresse sempre para debaixo das mós. A azeitona, depois de moída, era transportada em bacias de madeira de Castanho ou chapa zincada para o depósito onde era espremida em capachos ou ceras feitas de corda pela prensa de varas (ver fig. 5 e 7). Cada moagem ou lagaragem era denominada por 1 munho (cerca de 100 kg de azeitona).

Francela



Com as formas ou cinchos onde se fazia o queijo da Serra da Estrela.

Carro Primitivo



Era puxado por um animal vacum. Todo feito em madeira de Pinho, com excepção das chedas, varas e rodas. As rodas de apenas dois ou 4 raios largos eram de Carvalho ou Azinho, não tinham cepo ou massa e geralmente eram fixas ao eixo, apertadas e justas à pressão, rodando, assim, todo o conjunto entre duas chavetas de cada lado, também de madeira rija. Este eixo era lubrificado com cebo ou gordura que vidrava a madeira para evitar o desgaste. Geralmente estes carros traziam sempre preso na parte inferior um chifre de vaca, cheio dessa gordura, devido à necessidade de ser lubrificado de tempos a tempos. Existia em quase todo o país, com algumas diferenças de região para região.

Sábado, Fevereiro 10, 2007

Picota

Engenho usado quase em todo o país para extrair água dos poços, rios e ribeiros. Feita em madeira de Pinho, era formada por tronco ou forcalha, espigão e vara, balde e pedra com o peso aproximado de um balde cheio de água. A pedra era colocada sobre dois paus metidos na parte traseira do espigão, facilitando assim, a subida do balde cheio. Era usada para a rega e para o consumo de casa.

Oficina do Amolador




Feito em madeira. Com uma só roda para a sua deslocação e com pedal para fazer movimentar a pedra de amolar.

Sarilho


Engenho feito basicamente de madeira (os mais primitivos), embora mais tarde lhe fosse introduzido um ferro em forma de manivela facilitando assim, o seu funcionamento. Consistia em usar duas cruzetas de pau, ligadas entre si por umas travessas, um rolo de madeira com dois paus a cada ponta em cruz e uma corda pregada pelo meio ao centro do rolo. Eram usados dois baldes, um em cada ponta da corda, desciam e subiam alternadamente; enquanto um estava a encher, o outro estava a ser despejado. Este tipo de engenho era usado na abertura de poços e minas para a exploração de água ou minerais e na construção de edifícios, colocado num andaime preparado para o efeito.

Carro de Mão Leiteiro

Feito totalmente em madeira, basicamente de Pinho, com roda também em madeira, mas com aro em ferro, tinha no latro 4 buracos onde eram encaixados 4 cântaros de chapa zincada, que eram utilizados no transporte do leite dos rebanhos quando dormiam nos terrenos, para os palheiros. Também era usado no transporte da água necessária ao consumo diário nas casas dos agricultores. Esta tarefa era destinada ao ajudante do pastor enquanto este fazia os queijos.

Charrua


Utensílio em ferro forjado e parte em ferro fundido, (roda, aiveca, relha e bico) o timão, em algumas zonas do país era em madeira de Carvalho ou Azinho com todas as outras peças apertadas com parafusos. Era usado na agricultura para lavrar os terrenos. Com uma só aiveca móvel, presa por um gancho para virar a terra sempre para o mesmo lado, conforme o seu tamanho tanto podia ser puxada por uma parelha de animais vacuns, ou uma parelha de bestas, sendo frequente ver um burro ou um vitelo a fazer parelha para o efeito.


Padiola

Utensílio simples de fabrico rápido. Consistia em pregar 5 ou 6 tábuas ou travessas a dois paus (varais) para transporte de todo o tipo de materiais onde não podia andar o carro de mão. Numa confecção mais apurada, os varais eram furados para encaixe das travessas, dando assim, mais consistência à padiola. Os varais eram ligeiramente curvos para facilitar a pega quando carregada. Alguns carpinteiros, no fabrico deste utensílio aplicavam-lhe 4 pés, também em madeira com cerca de 20 cm, sendo, assim, menor o esforço dispendido por quem a transportava carregada. Era utilizado em todo o país.


Conjunto de Ferramentas


Usadas pelos serradores na serração de madeiras.

Serra de folha central
Serrão ou serrote
Serra Intermédia
Berra ou cavalete
Pontais
Machado.

Zorra

Utensílio feito com toros de madeira em forma de triângulo com cerca de 2,5 m de altura por 2 m de base; os paus ligeiramente curvos eram agarrados à base por cordas e pregados com cavilhas, no ângulo superior era atada uma corda formando uma argola onde se engatava o gancho do cambão. Esta ferramenta simples foi muito usada no transporte das pedras de grande porte para a construção de edifícios e monumentos. Era puxada por uma ou mais juntas de bois, conforme a necessidade, devido ao terreno e ao peso da pedra a transportar. Os paus eram ligeiramente curvos para que a ponta dianteira não batesse na terra, dificultando o seu arrastamento.

Nora Autónoma


Originária da zona de Leiria, era feita, basicamente em madeira, inclusive a roda onde eram aplicados dois tipos de baldes, estes em barro ou chapa zincada, uns maiores descendentes e os mais pequenos no outro lado da roda, ascendentes. A água que a fazia mover era dirigida aos baldes maiores, que com o peso e a força da água, obrigava a subir os mais pequenos, a esvaziar a água no tabuleiro colocado um pouco acima do silo. Este tabuleiro tanto podia ser feito em madeira como em chapa zincada. Era usada na elevação da água para rega nos rios e ribeiros e seu tamanho derivava conforme a profundidade do rio ou a elevação do terreno.

Zangarelha



Moinho normal com movimento na parte inferior das mós. O eixo com uma parte excêntrica onde era engatado o respectivo braço que o homem movimentava manualmente. Já possuía o aliviadouro, moega, quelha e chamadouro. Era originária do Alto Alentejo, embora a única fosse encontrada em Castelo de Vide. Com este engenho moía-se todo o tipo de cereais tais como, trigo, centeio e milho, etc.

Arado de Madeira




Utensílio em madeira de Carvalho, Freixo ou Azinho, com bico ou relha em ferro forjado. Era formado por dente, rabiça, bico ou relha, aivecas, timão pescaz e teiró. Conforme o modelo e a zona, o timão, como o dente eram separados em duas partes, o timão passava a ser a garganta e o prolongamento era a cabeça, a rabiça e o dente, assim como a garganta e a cabeça eram ligados por uma viela, sendo ajustados por um pescaz. Nos vários tipos de arados havia 4 grupos definidos; radial; quadrangular; labrego e Vessadoiro. Nestes 4 tipos havia uma variante muito grande que podia ser com roda simples com carreta de duas rodas, aivecas fixas ou móveis, estas presas por um gancho do centro do dente e ligadas entre si por uma corrente, tanto podiam ser de rabiça simples ou dupla, em alguns casos era o alongamento das aivecas que servia de dupla rabiça. Também a rabiça podia ser dupla aproveitado a madeira que era cortada para o efeito com duas trancas opostas como uma forcalha. O seu tamanho variava conforme os animais a puxá-los e a necessidade de cada agricultor.

Moinho ou Azenha de Rodízio Horizontal

Movido pela força da água dos rios e ribeiros, encaminhada por valas (levadas) construídas para o efeito. O rodízio horizontal formado por eixo ou pela, onde eram encaixadas as penas feitas em madeira constituíam uma verdadeira obra de arte pela maneira e modelos, como as penas eram feitas. Como o rodízio trabalhava horizontalmente, o veio era directo do rodízio às mós, pelo que não necessitavam de qualquer tipo de engrenagem ou carretos como nos moinhos de rodízio vertical ou roda. Também trabalhavam dentro do próprio edifício que consistia a azenha, na parte inferior do sobrado ou cave, ao contrário do rodízio vertical que era movido num dos lados da azenha, junto a uma parede, cujo veio atravessava a parede para o interior.

Charrua Barban


Toda feita em ferro forjado com 4 aivecas sobrepostas, era usada na sorriba dos terrenos para o plantio da vinha e pomares com mecanismo para o efeito, as aivecas eram móveis para que a terra fosse sempre virada para o mesmo lado; era puxada por uma ou mais juntas de bois ao mesmo tempo, ligados por um cambão, conforme o tipo dos terrenos. Era usado, sobretudo na zona do oeste, embora existissem noutras regiões vinícolas e frutícolas do país.

Mangual

Ferramenta feita de madeira muito rija; Carvalho, Azinho ou Freixo, este pouco usual devido a abrir mais facilmente. O cabo era, geralmente, de Freixo ou Castanheiro. Tanto o cabo como o mangual levavam uns carapuços de pele de porco por curtir, por ser mais macia e resistente. Eram ligados entre si por uma correia intermédia, também de pele de porco, no carapuço do próprio mangual eram feitos 8 furos, 4 de cada lado, e dobrado ao meio, que eram apertados por duas correias também metidas numas pequenas ranhuras feitas na própria madeira e esticadas por uma chaveta na laçada da correia. O carapuço do cabo era apertado com uma tira mais fina e depois pregada com pregos de cabeça larga. Estes utensílios eram usados na debulha dos cereais, quase em todo o país; embora nas Beiras e Trás-os-Montes fosse mais frequente ver grupos de homens malhando nas eiras, o trigo, centeio e o milho.
A malha propriamente dita era feita por dois grupos de homens, virados frente a frente, batendo cadenciadamente, sendo comandados por um deles, geralmente colocado na parte direita de um grupo. A este homem dava-se o nome de manageiro, que dava ordens para bater mais forte ou mais fraco. A este homem também cabia a tarefa de mandar pegar ou largar o trabalho, na altura feito de sol a sol, isto é, do nascer ao por do sol. Havia um intervalo de 1 hora para o almoço, cerca das 9 horas, 2 para o jantar, que geralmente era das 13 às 15 horas, às 18 horas era a ceia e continuava a malha até se por o sol e por vezes até mais tarde. A eira tanto podia ser de granito ou ardósia, de terra batida conforme o terreno, na Beira Interior, devido ao terreno ligeiramente aberto havia necessidade de barrar as eiras com dejectos do gado vacum, aproveitados e juntos cerca de 2 meses antes e amassados com água, era assim colocada uma película por cima da terra depois de molhada e batida com animais ou com enxadas. Depois desta massa consistente estar espalhada era utilizado um rodo de madeira e uma giesta de grande porte para ficar uma película uniforme de cerca de 1 cm de espessura.

Carro de Bois Vinhateiro ou Minhoto


Todo em madeira de Carvalho ou Azinho, inclusive o eixo e rodas. Com características únicas, este tinha a forma mais ou menos oval, as rodas em madeira, com excepção do aro, que era de ferro ou chapa. Eram fixas ao eixo, bem apertadas, fazendo com que este conjunto rodasse. O eixo rodava entre 4 espigões, também de madeira, metidos nas chedas, de modo a trabalhar justo e sem folgas. O tiro ou cabeça, ao centro ia desde a parte traseira do carro e prolongava-se até cerca de 3 metros onde existia um furo quadrado para aplicar o chavelhão que apertava o tamoeiro à canga. O eixo era constantemente lubrificado com gordura de animal ou sebo, que geralmente andava num chifre de boi atado por baixo do carro. Esta gordura, para além de lubrificar, evitava o desgaste do próprio eixo e ainda que o carro fizesse barulho. Este tipo de carro, era usado na região do Douro, Minho e Trás-os-Montes no transporte, para além de outros produtos, as tinas das uvas e os barris do vinho.

Ancinho


Utensílio ligado à agricultura, que tanto podia ser feito de madeira com dentes também de madeira ou com dentes de ferro, usando para isso grandes pregos ou cavilhas. Da necessidade do seu uso, tanto podia ser de dentes compridos ou curtos. Também podia ser totalmente em ferro com excepção do cabo. O ancinho de madeira era geralmente usado na debulha dos cereais, no ajuntamento da palha ou no aproveitamento de folhagem de mato para estrume. O ancinho de dentes curtos e de ferro era, e ainda é, usado no amanho da terra, na sementeira dos cereais e viveiros ou alfoubres. Em certas zonas do país, a este tipo de ancinho de dentes curtos dava-se o nome de Rastilha.

Grade


Utensílio em madeira de Carvalho ou Azinho com 4 travessas e duas cabeceiras. Eram-lhe aplicados dentes com cerca de 25 cm que poderiam ser de madeira ou de ferro. Estes eram, geralmente, feitos por um ferreiro, sendo por vezes usados os trifons dos carris dos Caminhos de Ferro. O número variava conforme o tipo de terreno e o tamanho da grade. Era usada no amanho dos terrenos depois de lavrados e na cobertura das sementes quando lançadas à terra. Puxada, geralmente, por uma junta de bois ou parelha de cavalos. Em certas zonas do país era-lhe colocada uma pedra para fazer mais peso, embora noutras zonas fosse usual andar o abegão ou moural em pé em cima da própria grade, sendo para isso necessário a junta de bois estar muito bem treinada para esse tipo de trabalho.

Albarda


Utensílio em serapilheira ou estopa e carneira e palha de centeio (cheia) que era usado no aparelhamento dos animais para os proteger nos carregamentos. Para além da albarda com os atafais, correias na parte de trás que evitavam que a albarda escorregasse para a frente, havia ainda a cilha (correia que apertava a encherga e a albarda ao peito do animal). A encherga era, geralmente uma saca de serapilheira cheia de palha de centeio que protegia a albarda de todo o tipo de produtos que o animal transportava. Havia ainda uma corda normal com cerca de 10 metros que cruzada sobre a albarda, segurava os cestos e os molhos a transportar. Havia ainda um outro arreio chamado sobrecarga que apertava toda a carga. Na cabeça do animal era colocado o cabresto feito com correias de cabedal e fivelas, tendo ainda uma corda com cerca de 2 metros chamada rédea, com que se guiava e prendia o animal.

Nora Primitiva Pedonal


Este tipo de Nora era usado na Beira Interior no Rio Zêzere e nas ribeiras afluentes. Toda feita em madeira, geralmente de Pinho, embora o eixo fosse em madeira de Carvalho, Azinho ou Freixo. Com púcaros em barro feitos para o efeito, era movimentada pelo homem, geralmente descalço e de calças arregaçadas. Este tipo de Nora com púcaros fixos empregava 2 pessoas; uma a movimentar e outra a regar as hortas. Era de fabrico artesanal e o seu tamanho tinha a ver com as necessidades de cada agricultor.

Balança de Braço ou Romana


Feita em barra de aço quadrado, era equipada com 3 ganchos móveis numa ponta mais larga e espalmada, 2 ganchos na parte superior e na parte inferior, conforme a posição da balança e a necessidade de pesar mais ou menos de 100 kg de peso. Existia ainda um peso em ferro com gancho móvel pesando 1 kg. O braço da balança era dentado de 1 a 100 ou de 100 a 150 kg. A este peso dava-se o nome de pilão e o gancho era espalmado e ligeiramente afiado na parte inferior da argola, para melhor encaixar nas pequenas ranhuras do braço. Era usada nas pesagens das sacas das batatas, os porcos e todos os animais, depois de limpos e outros materiais. Eram necessárias 3 pessoas para o efeito devido aos artigos a pesar, pois era necessário meter um pau bastante forte num dos ganchos que depois era elevado por dois homens, a terceira pessoa ia mudando o pilão até encontrar o peso certo. Cada ranhura representava um kilo.

Sábado, Janeiro 06, 2007

Coche


Este meio de transporte puxado por cavalos, era usado pelos agricultores mais abastados para passeios. Geralmente só transportava duas pessoas. Com o chassis a servir de mola, para maior comodidade era equipado com duas rodas traseiras e duas dianteiras, mais pequenas, aplicadas numa engrenagem giratória por baixo do chassis onde engatava o timão que fazia virar todo o conjunto, sempre que os animais mudavam de direcção.

Quinta-feira, Novembro 02, 2006

Fábrica de telha Mourisca


Totalmente subterrâneo tanto a parte da fornalha como a parte superior onde era colocada a telha a cozer. Era toda feita em tijolo maciço incluindo a placa que encimava a fornalha. Esta placa era furada em alguns sítios para que as chamas e o calor passassem para a telha, colocada em camadas ou adagues, todas ao alto para facilitar a cozedura. Não havia portas, mas a abertura superior era tapada com barro antes da fornalha acender, para evitar que o calor saísse. A parte superior ou tecto era coberto com o rescaldo ou restos de telhas para que o calor se mantivesse o calor junto da telha. Geralmente a cozedura demorava uma noite, sendo depois necessário esperar cerca de 3 dias de arrefecimento para desenformar. Esta telha era feita uma de cada vez e posta a secar ao sol cerca de 2 a 3 dias, só depois era possível transportá-la para o forno.
Os utensílios usados para além da enxada, picareta, pá (na exploração do barro) eram 2 cantaros, umas cangalhas (pau com dois arames) que os forneiros colocavam às costas para transporte da água necessária para amassar o barro.
Havia uma bancada de trabalho onde se colocava a grelha ou forma com o barro necessário a cada peça, o molde onde era formada a telha e depois transportada para a eira e os respectivo rodo para bater o barro na formação da telha.
Neste tipo de fábricas trabalhavam, geralmente, 4 homens, embora para desenformar fosse preciso recorrer a mais outros tantos. Administrativamente, eram 4 familiares que se associavam para esse efeito.

Prensa de Varas

Era usada nos lagares de azeite para espremer a azeitona depois de moída. O peso em pedra no centro do depósito era utilizado, tanto com a gravidade como pela pressão que este conjunto exercia contra a vara central que era fixa ao tecto do lagar, exercendo, assim, dupla pressão sobre os capachos ou ceiras. O peso era furado ao centro onde era metida uma bucha de pau de figueira feito à medida para encaixar na massa do fuso.

Choça ou Cabana

Era usada para que o pastor guardasse os seus rebanhos de noite; feita em madeira de Pinho, ligeiramente curvada para melhor se movimentar no seu interior. Era geralmente formada por 4 peças, uma mais alta que se sobrepunha a outra mais baixa, assentando as duas sobre dois triângulos, um dos quais servia de porta. Estas peças eram tapadas com palha de centeio (Colmo) sendo o colchão também deste material, espalhado no chão, a cama do pastor era depois feita com cobertores de lã e mantas de retalhos ou orelos. Este tipo de cabana viria a ser substituída por uma pequena cabana de chapa zincada com duas rodas, puxada por uma junta de bois.

Carro de Bois

Originário da Beira Interior, Beira Alta e algumas zonas serranas da Lousã, Sertã, Castelo Branco, etc. Com rodas raiadas com massa ou cepo onde era embutida uma bucha em ferro fundido, onde trabalhava o eixo também em ferro com cerca de 6 a 7 cm de diâmetro (interior da bucha), sendo quadrado na parte central. O eixo era furado nas pontas onde era introduzida uma chaveta em ferro, evitando assim, que a roda saísse; a lubrificação deste eixo e bucha era feita quase semanalmente com gordura de porco ou óleo queimado (mais recentemente). Na parte inferior do carro era usual existir um chifre de boi cheio desses materiais com um pincel feito de pano com cabo de madeira para essa lubrificação. Eram usados dois tipos de fueiros ou estadulhos; os mais curtos eram usados no transporte de produtos mais pesados como lenha, estrume, etc. Os mais altos só eram usados no transporte dos cereais como trigo, centeio e outros, dos terrenos para as eiras e no transporte da respectiva palha. Este carro, portanto, mais moderno era equipado com um sistema de travão num ferro cujo fuso e porca eram torneados em rosca muito larga devido à necessidade de actuação do mecanismo das descidas quando carregado, evitando assim, um grande esforço aos animais que o puxavam e era feito, geralmente, de madeira de Carvalho (chedas e tiro ou timão) e rodas, o lastro era de madeira de Pinho; as rodas levavam um aro em ferro com cerca de 1 cm de espessura.

Sábado, Outubro 21, 2006

Bardo ou Cerca


Era usado na Beira Interior e Beira Alta, embora o seu uso se estendesse a outras provincias. Era formado por cancelas feitas de madeira de pinho. O seu número derivava conforme o número de cabeças de gado, pois era usado para os rebanhos passarem a noite com o fim de, com os seus dejectos fertilizarem os terrenos; estas cercas eram mudadas de lugar, geralmente todos os dias, conforme a necessidade de aumentar ou não a estrumagem do respectivo terreno. Eram
seguras de encosto a umas estacas de madeira com uma forcalha na ponta, cortadas e escolhidas para o efeito. Para a ordenha dos animais era reduzido o tamanho do redil, obrigando os mesmos a fazerem uma fila, encostando as suas cabeças às respectivas cancelas, facilitando assim, o pastor na sua tarefa de extraír o leite. Estas cercas viriam a ser substituídas por cercas de corda, mais fáceis de mudar e transportar.

Segunda-feira, Junho 19, 2006

Carroça Tradicional

Puxada por um cavalo ou macho. Com rodas raiadas, ainda existe em várias zonas do país. É equipada por um travão manual tipo manivela à altura da mão do carroceiro, preso à parte lateral direita levando as tirantes a serem presas a um pau ou ferro onde levava os calços com borracha para melhor aderência ao aro das rodas também ferro. Ao eixo em ferro eram presas molas em aço com braçadeiras próprias. As rodas eram feitas de madeira de Carvalho ou Azinho e os raios, também da mesma madeira tinham copo ou massa ao centro, onde era embutida uma bucha de ferro fundido onde, por sua vez, entrava o eixo justo para que não houvesse oscilação. A carroça não assentava directamente no eixo como nos carros de bois, mas sim sobre as molas e presa a estas com parafusos, dando assim melhor conforto a quem a usava.

Galera

Carro com 4 rodas raiadas, as da frente com diâmetro inferior às da parte de trás devido à necessidade das mesmas nas manobras dos animais, ser necessário uma delas rodar debaixo da própria galera; eram aplicadas numa espécie de carreta com o timão que rodava em volta de um eixo que vinha da carreta à parte superior da galera. Era utilizada no transporte de pessoas e produtos, sendo a parte mais à frente reservada para transportar a ração do animais. Era puxada por 2 cavalos. Transportava normalmente 4 pessoas e o cocheiro num assento apropriado para tal. Tinha cobertura em lona ou pano forte para proteger os passageiros do sol e da chuva.