Este utensílio era usado como substituto das cordas de carga. Não dispensava, contudo, a sobrecarga. Era feita de madeira e constituída por 2 travessas com cerca de 5 a 6 furos, onde eram metidos paus com cerca de 40 a 50 cm nas 4 travessas furadas, onde eram presas 2 cordas fazendo assim, um tipo de grelha de cada lado da albarda. Eram usadas no transporte de estrume e outros materiais.
Geralmente equipado com 2 mós ou 3, conforme a necessidade. Os mais primitivos eram movidos por um animal vacum, mais tarde viria a ser utilizada a força da água dos rios e ribeiros encaminhada por regueiras ou valas. Estes lagares ou azenhas eram movidos por uma roda vertical na parte exterior de casa donde saía o veio que fazia movimentar as mós por meio de carretos feitos em madeira de Carvalho ou Azinho. Também era usado o rodízio horizontal que funcionava na cave de casa, indo o eixo directo às mós. As mós com cerca de 1500 kg cada, trabalhavam verticalmente, ligadas entre si por um eixo horizontal. O depósito era ligeiramente cónico de cima para baixo para que a azeitona corresse sempre para debaixo das mós. A azeitona, depois de moída, era transportada em bacias de madeira de Castanho ou chapa zincada para o depósito onde era espremida em capachos ou ceras feitas de corda pela prensa de varas (ver fig. 5 e 7). Cada moagem ou lagaragem era denominada por 1 munho (cerca de 100 kg de azeitona).
Era puxado por um animal vacum. Todo feito em madeira de Pinho, com excepção das chedas, varas e rodas. As rodas de apenas dois ou 4 raios largos eram de Carvalho ou Azinho, não tinham cepo ou massa e geralmente eram fixas ao eixo, apertadas e justas à pressão, rodando, assim, todo o conjunto entre duas chavetas de cada lado, também de madeira rija. Este eixo era lubrificado com cebo ou gordura que vidrava a madeira para evitar o desgaste. Geralmente estes carros traziam sempre preso na parte inferior um chifre de vaca, cheio dessa gordura, devido à necessidade de ser lubrificado de tempos a tempos. Existia em quase todo o país, com algumas diferenças de região para região.
Caro(a) visitante,
Estas peças não são brinquedos, como certamente pensarão. São sim, réplicas em miniatura dos mais variados utensílios que os nossos antepassados construíram nas diversas actividades, desde a agricultura à carpintaria, passando pela indústria do azeite à fabricação do vinho, transportes e moagem.
São peças autênticas, feitas de acordo com a tradição em que a própria madeira de que são feitas é cortada e aproveitada respeitando as dimensões, espessura e comprimento, curvaturas, etc. tal como se fazia na época da sua utilização e em tamanho normal.
São peças únicas que representam a história e etnografia desde o Algarve ao Minho, ultrapassando mesmo as fronteiras. Sendo feitas numa escala de 1:30 ou 1:50, conforme os casos e também devido ao tamanho normal, variava muito de região para região, tanto no tamanho, como na própria construção, embora basicamente a funcionalidade seja respeitada em todas as suas vertentes.
O artesão ao propor-se a fazer estas peças históricas fê-lo com a convicção e o interesse de divulgar junto das escolas, tanto do ensino básico como do secundário, aproveitando uma vertente pedagógica que, à semelhança de outras exposições, tem desenvolvido com alguns professores, para além da exposições propriamente ditas e já feitas, em Vila do Conde, Fatacil – Algarve, FIA – Lisboa, Expoeste – Caldas da Rainha, fez exposição nas escolas do ensino básico e secundário em Campelos – Torres Vedras.
O artesão encontra-se, pois, disponível para falar da história de cada peça construída e já conta 71, entre peças soltas e conjuntos. Às escolas que se mostrem interessadas numa aula totalmente diferente duma aula normal. Creio que será de grande utilidade, tanto para professores como para alunos, tomar conhecimento como se trabalhava nos passados séculos XIX e XX.